sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Futebol X Educação

Texto publicado em 22/07/2004

Dizem que o Brasil é o país do futebol, mas também é o país da corrupção, da miséria, da desigualdade social, da cachaça, do turismo sexual, da exploração infantil,... pena que não sejamos o país da educação.

O brasileiro vive com uma renda mensal baixíssima e mesmo assim consegue gastar o pouco que ganha indo a estádios de futebol; não dá para entender. A riqueza que o futebol proporciona a alguns jogadores de grandes times faz com que a profissão de jogador seja objeto de sonho de muitos de nossos jovens, especialmente os mais carentes. Por esta razão, é que eu acho que o governo deveria exigir um mínimo de escolaridade para que uma pessoa se tornasse jogador de futebol. Muitas crianças com dificuldade escolar, quando o professor questiona: “sem estudar o que você quer ser na vida?”, logo ele ouve a resposta: “eu não preciso estudar, vou ser jogador de futebol”. Talvez essa ideia de que para ser jogador de futebol você não precisa de estudos exista muito em função das “besteiras” que costumamos ouvir de alguns de nossos grandes craques, coisas do tipo “nóis tamo bem trenado”, “nóis nus preparemo muito para esse jogo”, etc.

Estes jogadores não percebem que eles prestam um desserviço a educação. Afinal, como ídolos de muitas crianças, estes deveriam se preocupar em dar bons exemplos para os mesmos. Mas quando numa entrevista um jogador diz que fugia da escola para jogar futebol, ou que estudou até a 8ª série, que tipo de exemplo ele acaba dando?

Somos sim o país do futebol, mas temos que ser também o país da educação. Afinal, quantos Ronaldinhos existem? Quantos Cafús existem? Todos devem acreditar em seus sonhos, mas mantendo sempre um pé na realidade. Não se pode negar as estatísticas, e ela mostra que não é a maioria que consegue vencer nessa profissão.

Acreditemos, pois, nos estudos, já que o sonho pode ser tirado de você, mas conhecimento não!

LRDantas

dantas1503@yahoo.com.br

A França está bem mais próxima...

Imaginem essa matemática: alguém começa a trabalhar aos 16 anos, aos 51 ele terá 35 anos de contribuição... aposentadoria! Durante esse período ele pagou 11% de seu salário mensal para a previdência, o que quer dizer que em um ano ele contribuiu, já corrigido, com menos de 1 salário e meio para a sua aposentadoria. Isso significa que em 35 anos ele terá contribuído com aproximadamente 53 salários. Se fizéssemos uma conta “fria”, aproximada, sem levar algumas coisas em consideração, diríamos que ele teria uns 4 anos e meio de salários para receber (53 dividido por 12).

Agora voltemos ao nosso “jovem” de 51 anos que estaria se aposentando. A expectativa de vida atual, veja bem: ATUAL, é de 73 anos, o que quer dizer que ele teria que receber por 22 anos tendo pago o suficiente para 4 anos e meio, lembra? Essa conta não fecha! Ah, se ele for casado e vier a morrer aos 73, sua esposa – cuja expectativa de vida é maior, 77 anos – continuará recebendo, isso em pleno século XXI. As mulheres contribuem por um tempo menor e recebem por um tempo maior, e a tal da “igualdade”?

Veja bem, eu sei que existem variáveis que incrementam os números a nosso favor, os trabalhadores, mas não podemos esquecer dos milhões que nunca contribuíram e que foram “contemplados” com a aposentadoria. Afinal, é muito fácil dar dinheiro nesta país, vira voto! O problema é: quem pagará a conta?

Precisamos, como a França, de uma nova reforma da previdência. E que ela acabe com as aposentadorias especiais como a dos militares, cujas filhas não se casam e assim continuam recebendo até o fim de suas vidas ( são duas gerações se beneficiando de uma única contribuição), a dos políticos,... etc. O difícil é acreditar que quem faz as leis, faça algo que vá contra os seus próprios privilégios, afinal, nossos políticos são rápidos para aprovarem leis que os favoreçam, todos viram o que fizeram para aumentar seus próprios salários. Se nosso povo não fosse tão “pacífico”, talvez fossemos para as ruas “brigar” contra tamanha palhaçada; e a palavra é palhaçada mesmo, pois quando se trata de aumento de salário para o povo os índices são pífios, já para os nossos políticos 62%.

Uma pequena mensagem para os funcionários públicos do nosso município, existe sim a possibilidade de termos problemas sérios para recebermos nossas aposentadorias, pois, infelizmente, para um lugar tão importante como a ARAPREV, os candidatos eleitos são votados levando-se em consideração muito mais a relação de amizade do que a capacidade técnica para exercerem suas funções. Só não se esqueçam que de nada adiantará reclamar futuramente dos erros cometidos no “passado”.

LRDantas

dantas1503@yahoo.com.br

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Araprev

Algumas coisas nós pagamos e nem nos damos conta...
estava olhando o "morterith" deste mês e reparei que a ARAPREV é descontada sobre o 1/3 de férias... legal!!!!
Quer dizer que quando eu me aposentar irei receber 1/3 nas férias???
Alguém pode me responder isso????
Estou no aguardo... assim como o aumento de salário... estou no aguardo!
Afinal, o Papai Noel veio, o coelhinho da páscoa veio... só falta o aumento!
Ah, quase me esquecia: "não tem dinheiro", mas a secretaria irá mudar de endereço e passará a pagar de aluguel o dobro do que pagava, também terão novos carros, mais funcionários (alguns sindicatos irão fechar...rsrsrsrs). Eu só queria saber em que posição na "lista de prioridades" encontra-se a VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR. Está na lista, né?

Tenhamos todos um ótimo 2011!
Afinal, a nossa felicidade não depende deles... pelo menos, a minha não!
dantas1503@yahoo.com.br
Feliz!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Por que só investimos nos que precisam?

Eu sei que muitos não concordarão com o que irei escrever, mas lembro-os sempre que aquilo que escrevo nada mais é do que a minha opinião.
Vivemos em um país de terceiro mundo, que vive querendo ser o que não é, que acha que o que vem de fora é melhor, e que não entende que esse tipo de pensamento é o que irá nos manter nessa situação.
É legal ver na TV comerciais como os do Ronaldinho e do Hebert Vianna, mas acho que não é tentando passar a imagem de que somos diferentes "não desistimos nunca", que conseguiremos mudar a maneira como nos vemos. Estamos tentando sair de uma situação na qual nos sentimos inferiores, para uma situação na qual nos sentimos superiores, deveríamos tentar mostrar que somos "iguais". Afinal, não podemos correr o risco de nos tornarmos prepotentes como os americanos. Além do mais, existem inúmeros casos pelo mundo afora de pessoas que demonstraram tamanha força de vontade, ou seja, isso não é exclusividade do povo brasileiro.
Vamos acreditar que somos tão bons quanto qualquer outro, não superiores, e nem inferiores.
Vamos investir nos que merecem, não apenas nos que precisam. Afinal, creio que esse seja um dos nossos maiores defeitos. Por vivermos em um país com tantos problemas, onde tantas pessoas passam por dificuldades, passamos a olhar para um único lado, e isto não nos fará melhores. Temos que ter um olhar mais amplo, só assim este país será grande.
Peguemos como exemplo a Educação, quase todos os esforços, os investimentos, as mudanças, são voltados para os alunos problemas, permitam-me chamá-los de alunos ruins.
Gastamos um dinheiro absurdo com reforço e recuperação de alunos que, na maioria dos casos, não querem "nada com nada". Por que não olhamos para o outro lado, ou seja, para os alunos bons?
Por que não investimos em aulas extras, ou aulas avançadas, para alunos que "são interessados"?. Ou seja, por que não investimos também nos que merecem?
Não estou dizendo que deveríamos esquecer dos que precisam, só não acredito que apenas tornar "ruins", razoáveis, mudará este país. Deveríamos fazer esforços, investimentos, e mudanças, para que nossos alunos "médios" se tornassem "bons", e para que nossos alunos "bons" se tornassem "ótimos", pois só assim o país mudará.
Vamos investir também nos que merecem... são esses que farão o nosso Brasil melhor!

Texto que publiquei em 09/09/2004

Infelizmente... ainda não entenderam o recado... pois nada mudou!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Cargos de confiança, cargos polítcos, cargos com apadrinhamento, cargos comissionados, cargos..., até quando?

Ninguém nomeia um enfermeiro para o cargo de médico, mas tem algumas nomeações que são difíceis de entender. Consultei o site da Transparência Brasil e vi como é fácil conseguir informações sobre funcionários públicos no âmbito federal, mas a mesma facilidade não ocorre nos governos municipais. Acho que todos gostaríamos de saber quantos são os cargos de confiança aqui em Araras, quem são seus ocupantes, quais são as suas qualificações e quanto custam para os nossos cofres.
Gostaria de saber, também, o que torna um auxiliar de mecânico apto para exercer a função de Diretor em uma de nossas "empresas cabide", ou um auxiliar de enfermagem apto para exercer a função de Diretor em uma de nossas "repartições cabide", fora o fato dessas pessoas terem distribuído "santinhos" e carregado "cavaletes" durante as campanhas eleitorais.
Algumas escolhas são aceitáveis, pois levam em consideração a competência demonstrada por determinadas pessoas na vida privada, mas carregar bandeira, distribuir "santinhos" e aplaudir discursos não deveriam ser atributos para nomeações, já que isso não dá Know-how a ninguém.
Outra coisa, o salário do Presidente da República é R$ 11.239,24, todo mundo pode saber, mas saber quanto ganham - já que somos nós quem pagamos - esses funcionários que exercem os cargos de confiança é quase impossível!
O candidato eleito pelo povo e derrotado pelo "clero", Pedrinho Eliseu, havia reduzido o número de cargos em comissão de 967 para 263, mas e hoje, quantos são? Será que não existem dentro da administração pessoas capazes para exercerem certas funções? Será possível algum dia limitarem por lei o número desses "cabides"?
Uma das coisas que acontece e que é muito certa é a indicação do Presidente do Banco Central, pois mesmo sendo feita pelo Presidente da República, ele tem que passar por uma sabatina para ser aprovado. Já pensaram se isso fosse feito em todos os níveis? Acho que não teríamos tantos casos como: Formação: filho/a de candidato, sindicalista, parente de fulano,..., ou: Habilitação: entregador de "santinhos", bobo da corte, puxa saco de campanha,..., etc. Ah, como é bom sonhar!
Por fim, gostaria de deixar aqui mais algumas palavras para reflexão: O país passará os próximos 4 anos sem uma oposição, já que o governo possui a maioria no Congresso e no Senado, e isso significa que a Presidente terá todo o poder nas mãos para fazer o bem e não terá as mãos atadas para fazer o mal. Em outras palavras, nunca estivemos tão dependentes da Imprensa - da parte que não se vende - pois está é quem molda a opinião pública e caberá a ela nos defender.
LRDantas

E o que nos dirá a história daqui alguns anos?

O presidente Lula vive dizendo que "nunca antes na história desse país...", se colocando como "o criador" de tudo de bom que está por aí, será? Não se negam os avanços ocorridos durante o seu governo, mas deixar de dar créditos ao governo anterior por grande parte do que estamos vivendo é como se déssemos graças ao florista e esquecessemos de agradecer ao floricultor.
Mudanças em um país não são como alterações que se faz nos sabores dos alimentos, acrescenta-se sal, um pouco de tempero e o resultado é imediato. Muitas mudanças que colhemos hoje foram plantadas lá atrás, até o Collor tem seus méritos, afinal, foi ele o primeiro a ter coragem de dizer "carro no Brasil é carroça!". Pois bem, voltemos um pouco ao presidente Lula, eu sei que um dos erros que cometemos é quando nos calamos e, infelizmente, nos calamos quando o Sr. Lula foi às rádios e televisões dizendo que: "eu sabia, ao sentar-me na cadeira de presidente, que todos que sentaram-se aqui podiam errar, mas eu não", e isso passou a impressão de que ele não errou. Então, o que dizer do Mensalão, do escândalo dos dólares na cueca, do Valerioduto, do caso Erenice, José Direceu,..., foi tudo acerto?
Lula tem seus méritos, um deles foi seguir a política econômica deixada pelo Fernando Henrique Cardoso - tanto que levou para o Banco Central o Henrique Meirelles, um homem que era do PSDB - e outro foi deixar de lado quase todas as suas promessas de campanha.
Como o Lula será lembrado daqui 8 anos, isso eu não sei, só o tempo dirá, mas com certeza vai depender muito mais de como nos lembraremos da Dilma (sua Criação), do que de como nos lembramos dele hoje.
O Brasil é maior que qualquer partido ou qualquer personagem político!
LRDantas

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A frase do Serra, a verdade sobre as eleições e os Royalties do Petróleo


O Serra não só perdeu a eleição como também deu à oposição o maior argumento para ser usado na próxima campanha.


Eu não tenho dúvidas de que veremos e ouviremos na próxima eleição para o governo de São Paulo a reprodução da fala do José Serra: "a alternância no poder faz bem para a Democracia", é tudo o que o PT quer para São Paulo.


Não sei porque pensar assim, afinal, uma das frases mais ditas no mundo é: "em time que está ganhando não se mexe". Não que eu achasse que o governo Lula estivesse ganhando, mas a maioria dos que votaram acharam que sim. Não a maioria dos eleitores, já que o número de abstenções foi de 21,5% e se verificarmos o percentual de votos da Dilma em relação ao número total de eleitores, ela teve 41,05% dos votos, já que somos 135.804.443 eleitores e ela teve 55.752.529 votos. Mas isso já é passado, o que eu gostaria que alguém me respondesse é o seguinte: Se o governador de São Paulo fosse petista, a Petrobras acharia petróleo aqui em Santos ou continuaria achando apenas na bacia de Santos, mas na parte que é do Rio de Janeiro? Os royalties vão pra lá!


Fico imaginando como deve ser a conversa entre os responsáveis pelas perfurações dos poços e seus "comandantes petistas": "Senhor, encontramos petróleo na posição: latitude 45SP, longitude 45SP", e a resposta do outro lado: "façam um desvio de menos 32 e vão para: latidude 13RJ, longitude 13RJ, câmbio, desligo!". É lógico que estou brincando, mas é estranho como as grandes descobertas só são feitas na área "carioca". Pô, o mar é território nacional!


E se não mudaram ainda a legislação sobre os royalties, vamos fazer uns furinhos aqui do lado de São Paulo também, a população agradece!

LRDantas

dantas1503@yahoo.com.br

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Porrada, porrada!

Professores: "Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ser saco de pancada?".
O trecho desta música do Gabriel O Pensador serve como uma luva em diversas situações e, infelizmente, hoje serei obrigado a utilizá-lo para falar sobre a situação dos professores.
Eu tenho esperança de que algum dia o trabalho desses profissionais venha a ser reconhecido e de que eles passem a receber um salário digno que lhes permita ter uma jornada de trabalho menos estressante. Para quem não sabe, boa parte dos professores trabalha manhã, tarde e noite, e para conseguir ter algum aumento salarial, na forma de gratificação, eles têm ainda que fazer cursos aos finais de semana. Professor não precisa viver?
O problema é que o salário base de um professor da rede municipal da cidade Araras, com carga de 30 horas semanais, é de aproximadamente R$ 1 mil (20 % menor do que o salário pago aos "marronzinhos" - nada contra eles - deve ser uma questão de prioridades; afinal, os marronzinhos dão lucro, já os professores...), e se você acha isso uma agressão, saiba que eles sofrem agressões piores.
Recentemente um fato ocorrido dentro de uma das escolas do nosso município chamou a minha atenção. Uma professora foi agredida por uma mãe de aluno - agredida fisicamente - e não teve o devido amparo da nossa Secretaria da Educação.
Veja bem, se começarmos a achar que existem argumentos que justifiquem uma agressão, é o fim! Não podemos, em hipótese alguma, permitir isso, pois estaríamos voltando à pré-história. Espero que nossos Homo-sapiens que estão no comando entendam isso. E bem no momento em que os legisladores brasileiros estão discutindo uma lei que proibirá até os famosos "tapinhas" dados pelos pais, em Araras temos um acontecimento desse?! Só falta falar "não bata no seu filho, vá para escola e bata na professora dele", piada!
Professores já são humilhados demais, menosprezados demais, desrespeitados demais..., basta!
Outra coisa, parem de dizer que "a educação é a menina dos meus olhos", pois pelo visto ela já está gorda, velha e com cataratas! Gorda, basta olhar para a Secretaria "inchada"; velha, pois os anos passaram e... com cataratas, difícil de enxergar. Entendam uma coisa: "os professores esperam por mais ações e menos discursos, então... ajam!".
Para terminar, só mais uma coisa. Diversas prefeituras da nossa região têm pago o bônus para os seus professores, mas Araras nunca! Parodiando a frase mais usada em discursos políticos, pelo visto a educação em Araras está mais para "a mina dos meus olhos".
LRDantas

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Falta coragem na educação

Texto que publiquei em 26/08/2004

Quando se compara resultados na qualidade de ensino da escola pública com a escola particular, esquecem de mencionar que elas envolvem realidades bem diferentes.
Não que na rede particular de ensino não exista aluno com problemas das mais diversas ordens, mas é que a Fome atinge única e exclusivamente alunos da rede pública.
Em muitas regiões do país, é na escola que a criança faz a sua principal refeição do dia. Como esperar resultados iguais em realidades tão diferentes?
Quando falamos em Brasil, a diversidade fica clara, mas o que dizer de Araras, vivemos também esta realidade?
Embora tenhamos problemas, não creio que esta justificativa caberia para a nossa cidade. Acho que a qualidade de ensino nas nossas escolas só não é melhor por falta de uma estrutura favorável, e falta de coragem para mudar o que está aí.
Gasta-se muito, mas gasta-se mal. E, enquanto os que comandam a rede particular de ensino se preocupam em ter lucro e qualidade, pois só assim continuarão a ter alunos, os que comandam a rede pública se preocupam mais com a aparência e o assistencialismo, pois acham que isto "dá votos".
Por que não pensamos na rede pública de ensino como sendo a maior rede particular existente?
Por que não investimos em material didático de qualidade, como na rede particular, para tornarmos as nossas escolas públicas mais eficientes? Afinal, o material humano pouco difere, já que grande parte dos professores da rede particular também ministram aulas na rede pública.
Por que não olhamos para a rede particular de ensino e tiramos de lá o que há de bom?
Muitas perguntas ficam sem respostas quando se fala em educação, mas quem sabe um dia, teremos coragem e ousadia e olharemos para a educação pública com os mesmos olhos que se vê a educação particular, pelo menos no que se refere à qualidade.
Quem sabe um dia, teremos através da educação, o início da verdadeira democracia.
LRDantas

Perdendo tempo

Texto que publiquei em 29/07/2004

É impressionante como gostamos de pesquisas. Há pesquisas para tudo, desde quanto tempo, em média, uma pessoa passa dentro do banheiro durante toda a sua vida, a influência da defecção das vacas, para a camada de ozônio; até o que a mulher, ou o homem, mais pensa quando está transando. Um monte de coisas de suma importância para o desenvolvimento humano, não acham?
Uma das últimas pesquisas divulgadas pela TV, dizia respeito à falta de capacidade que os alunos das escolas públicas brasileiras têm de interpretar textos simples e efetuar pequenos cálculos envolvendo as quatro operações matemáticas. Qual a surpresa? Só se surpreendeu com a pesquisa quem não quer enxergar a realidade, ou seja, as pessoas que vivem no mundo de fotografias da educação. E sabem com é, na fotografia, com uns bons retoques, até a celulite some. Lembram?
Desde o início do governo F.H.C. (que começou na verdade quando o Presidente "era" o Itamar Franco), o Ministério da Educação buscou de todas as maneiras aumentar o número de jovens nas escolas; pois bem, chegamos a índices de quase 97% dos jovens matriculados no Ensino Fundamental, um feito histórico, mas e a qualidade do ensino? Quanto a isso, só se ouvia dizer: "primeiro temos que trazer o aluno para a escola, depois...". Depois quando? Já se passou mais de uma década e continuamos perdendo tempo quando o assunto é qualidade do ensino. Outra coisa, sempre que se fala em qualidade de ensino, ou pesquisas sobre educação, só se discute duas disciplinas: Matemática e Português. Só espero que estes "pesquisadores" não pensem que o problema está só com estas disciplinas, o problema é generalizado. Fazendo uma analogia com a medicina, pode se dizer que a baixa qualidade do ensino é um câncer que atingiu todos os órgãos do corpo educacional, e como tal deveria ser tratado; ou seja, não adianta "projetinhos" de remédios aqui e ali, precisamos usar um tratamento de choque como a quimioterapia. Devemos parar de nos preocupar em manter a educação com uma "cara" bonita para sair bem em fotos, temos que deixar a vaidade de lado e ficarmos "carecas" num primeiro momento, para só então atingirmos a cura.
Esqueçamos por alguns anos os índices de aprovação, já está provado que escola com alto índice de aprovação não significa escola com qualidade de ensino. Vamos voltar a cobrar de nossos alunos conhecimento e não frequência, afinal, com os índices de desemprego que o país possui, o que irão cobrar de nossos alunos será conhecimento. Não pensem que a frequência em uma fila de desempregados garantirá emprego para alguém. Pense nisso.
LRDantas

domingo, 19 de dezembro de 2010

Cotas para negros; por que não, cotas para pobres?

Texto publicado em 12/06/2004

Dizem que negros e pardos constituem 50% da população brasileira, mas ocupam apenas 16% das vagas nas universidades. Embora até hoje não exista uma metodologia científica universal para se determinar quem é negro ou não, insistimos em fazer pesquisas que são tão subjetivas quanto os seus interesses. Afinal, entre brancos e negros há uma variedade tão grande de tons de pele que esta classificação passou a ser uma questão geográfica. Com a adoção do sistema de cotas em algumas universidades, aquela pessoa que passou a vida toda se classificando com não negro, agora passou a se auto definir negro, pois desta forma, irá competir com um número bem menor de candidatos e terá uma chance bem maior de conseguir a tão sonhada vaga.
Será que ninguém percebe que a criação de cotas para negros é o mesmo que legalizar a discriminação? Será que nem os negros percebem isso? Criar cotas para negros é o mesmo que dizer que eles não têm capacidade para competir com um "branco", e que por essa razão devem competir somente entre eles.
O que ninguém percebe é que não é o negro que é minoria nas universidades, não é o negro que não tem condições de se preparar para competir em pé de igualdade por uma vaga universitária, o pobre é que é minoria, o pobre é que não tem essas condições! Deveríamos então criar cotas para pobres, caso contrário, estaremos criando as condições para que em breve se possa ouvir afirmação do tipo: "a pior coisa que pode acontecer a um pobre, é ele ser pobre e branco", pois se fosse negro teria uma chance maior de cursar a universidade. Parece engraçado, mas não é. Posso até imaginar que aquele vestibulando "branco", pobre, que consegue nota 7,0 no vestibular, fique fora da universidade enquanto outro "negro", pobre ou não, consegue a vaga com nota 6,0. Seria um absurdo!
Em breve casais multirraciais começariam a ter predileção sobre os filhos que irão ter, e poderemos ouvir "tomara que nasça negro". O correto é que não haja a preferência, pois somos todos iguais, ou não?
Por gentileza, enxerguem: não é o negro que é minoria nas universidades, e a discriminação existe sim, mas é ao pobre.
LRDantas

A favor do psicotapa

Texto que publiquei em 05/05/2004

Houve um tempo em que os alunos respeitavam os professores, era o mesmo tempo em que os filhos respeitavam os pais, vou mais longe, um tempo em que as pessoas se respeitavam.
Então, alguém vai me dizer "os alunos respeitavam por medo", mas os filhos respeitavam por medo também? Falar sobre esse assunto sempre me faz cair em um mesmo paradigma: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Respeitavam os pais porque respeitavam os professores ou respeitavam os professores porque respeitavam os pais? E no fim sempre chego a uma mesma conclusão: ambas ocorrem concomitantemente, e um dos grandes motivos que levou a esta deteriorização do respeito foi a intervenção dos psicólogos na educação. (Veja que disse motivo e não culpado).
Na década de oitenta instituiu-se uma filosofia de que o aluno tudo pode, de que os filhos tudo podem, de que as pessoas... Isso se deve, talvez, ao término de um longo período de governo militar pelo qual o país passou. E com a eleição direta veio um período de liberdade exagerada que extrapolou os direitos quando se esqueceu dos deveres.
O pais não devem bater em em seus filhos. Ninguém está aqui para defender a agressão, este nunca foi o caminho, mas hoje já se fala da necessidade de um "tapa" na hora certa, ou seja, os pais precisam entender a nova ordem psicológica: um "psicotapa" na hora certa também educa.
E por gentileza pais, re-aprendam a dizer não!
LRDantas

Ensino "Pai-de-Santo"

Há algum tempo vinculava um comercial em uma rádio, no qual um jovem arrotava próximo a uma senhora que lhe dizia "educação zero" e, então, ele respondia "é, mais saúde 10, média 5, passei!". Usarei este comercial desagradável para ilustrar uma situação real que também não é nada agradável.
Hoje nas escolas estaduais e municipais o uso de uma prática lamentável está acabando com o ensino; é a já famosa situação "avaliação zero, trabalho 10, média 5... passou!". Quando um aluno faz uma avaliação ele já não se preocupa mais em saber o quanto tirou, a pergunta que se segue a uma avaliação geralmente é "o fessor vai dá um trabainho pra ajudá na nota?". Instituiu-se o ensino "pai-de-santo", só na base de "trabalho".
Dizem, os que nunca ministraram aulas, que se a maioria de uma turma vai mal o culpado é o professor. Será? Chegamos em um ponto em que o professor tem mais medo de registrar notas vermelhas do que os alunos têm de tirá-las.
Eu sei que a avaliação escrita é apenas um dos instrumentos a serem usados diante da verdadeira avaliação, que é global, mas a pressão que se faz sobre os professores para que os alunos passem, não se importando como, está fazendo com que estes usem de métodos de avaliação cada vez mais absurdos para que e consiga uma maioria de alunos com média.
Coisas do tipo: se o aluno estiver com o caderno em ordem, ou seja, copiar a matéria (o que nada mais é do que a sua obrigação), ele tem 10 de caderno. Se ele tem frequência e ficar quieto durante as aulas - não importa se desta forma ele não participe das aulas, o que importa é o silêncio - ele tem 10 de participação. Somando-se a estes os famosos "trabalhinhos", teremos o objetivo alcançado: "média 5, passou!".
Eu aprendi cedo na vida que só damos valor às coisas que batalhamos para conseguir. Por que um aluno iria se preocupar em estudar se ele sabe que irão fazer de tudo para que ele fique com média, por que ele daria valor aos estudos?
Alguns professores dirão: "a vida se encarregará deles". O problema e que a maioria desses alunos, não têm maturidade para saberem e perceberem o erro que estão cometendo. Cabe a nós fazermos algo.
No ensino médio os professores ainda têm o instrumento da retenção, mas eles se comportam como se estivessem no sistema de progressão continuada. Ocorre aqui um incrível paradoxo, os professores reclamam por não poderem mais reprovar o aluno no ensino fundamental, porém eles não usam este instrumento no ensino médio. Talvez seja o "bônus", que leva em consideração o número de alunos retidos, o responsável por tudo isso. Até parece que os professores têm medo de reprovar aluno, e isto é lamentável, pois os alunos já perceberam e não têm mais medo, afinal eles sabem que irão passar. A culpa é de quem?
LRDantas